"Vou à Bahia porque, se alguém fez o impossível para eu sair do país, foi Dado Galvão. Desde que filmou uma entrevista comigo em Havana, ele tem sido incansável. Mesmo quando me faltava esperança, ele a mantinha" YOANI SÁNCHEZ - FOLHA DE SÃO PAULO

Missão Bolívia revela os bastidores da operação de resgate do senador boliviano Roger Molina.


"Dado Galvão tentou entrevistar o senador Pinto Molina na embaixada e foi proibido pelo Itamaraty, que justificou a negativa como manutenção da ordem na representação governamental. Dado, num ato de repúdio, entregou o seu passaporte, juntamente com o do fotógrafo Arlen, ao Itamaraty, que até hoje não os devolveu, segundo o documentarista. Dado esteve com a família do senador Molina no início de 2013, quando foi informado de que Molina estava com as visitas na embaixada restritas a familiares e um advogado boliviano desde março de 2013. Com isso, aumentou o isolamento do político dentro da representação brasileira em La Paz" (Leia matéria completa do Jornal do Brasil)

Raúl Castro oferece jantar na Granja do Torto, residência de campo do governo brasileiro em Brasília.



Fidel tinha ilha particular e aquário de golfinhos, diz ex-guarda-costas.

Juan Reinaldo Sanchéz resolveu contar em livro bastidores da vida de ex-líder cubano, quem acompanhou de perto durante 17 anos.

Um livro recém-lançado traz novas e bombásticas revelações sobre o estilo de vida do ex-líder de Cuba Fidel Castro. Entre elas, a de que o ex-mandatário possuía uma ilha particular com restaurante flutuante e um aquário de golfinhos.

A Vida Secreta de Fidel, lançado no Brasil pela Editora Paralela, foi escrito pelo jornalista francês Axel Gyldén e por um ex-guarda-costas do ex-líder cubano, Juan Reinaldo Sánchez.

Durante 17 anos, Sánchez diz ter feito parte do círculo mais íntimo destinado a proteger Fidel. Desempenhou tarefas das mais variadas, como "provar cada prato ou vinho que traziam a Fidel" durante uma viagem à Espanha, em 1992, para "assegurar que não estavam envenenados".

Ou acompanhar o comandante durante uma pesca submarina em que "minha tarefa era espantar tubarões e barracudas que se aproximavam dele". (Leia mais na BBC Brasil)

De Paris, Repórteres Sem Fronteiras critica ataques do PT a opositores midiáticos.


Após dezoito agressões contra jornalistas desde o início do Mundial, o vice-presidente do Partido dos Trabalhadores acusou uma dezena de jornalistas e humoristas de propagar o ódio.

A tensão entre o governo e os jornalistas da oposição acaba de subir de tom. Num artigopublicado a 16 de junho de 2014 no site do Partido dos Trabalhadores (PT), atualmente no poder, o vice-presidente do partido Alberto Cantalice estabelece uma lista negra de jornalistas designados como os “pitbulls da grande mídia”. Para o dirigente petista, o ódio de Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes Diogo Mainardi, Lobão e dos humoristas Danilo Gentili e Marcelo Madureira contra as medidas progressistas dos governos Lula e Rousseff se tornou ainda mais evidente desde o começo do Mundial, que esperam que fracasse.

Esses “inimigos da pátria” não demoraram em responder. O jornalista Demétrio Magnoli denunciou em O Globo um artigo “calunioso” e uma ação de propaganda por parte do PT. Magnoli se mostra preocupado pelo fato de um político do partido no poder convidar à “caça” dos jornalistas opositores “na rua”. Já Reinaldo Azevedo, da revista Veja, afirmou sua intenção de processar Alberto Cantalice por “difamação”.

“Repórteres sem Fronteiras expressa sua inquietação pelas graves acusações dirigidas contra os jornalistas provenientes de um alto cargo do PT”, declara Camille Soulier, responsável da seção Américas da organização. “Não ignoramos o contexto polarizado da mídia, que pode exagerar o descontentamento geral. No entanto, as dificuldades sentidas pelo PT não justificam o recurso à propaganda de Estado.”

Essas acusações foram lançadas num clima social tenso, com a multiplicação de movimentos populares contra as despesas do governo com a Copa do Mundo. A polícia militar tem respondido através da força e alguns jornalistas foram agredidos. No total, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) já contabilizou 17 agressões de jornalistas no âmbito de manifestações desde a abertura do Mundial. Entre as vítimas, contam-se correspondentes daCNN e de agências internacionais, como a Reuters e a Associated Press, assim como jornalistas da mídia local ou profissionais independentes. Karinny de Magalhães, jornalista e ativista do coletivo Mídia NINJA, foi detida e espancada até desmaiar.

Aos 17 casos citados se juntou a detenção arbitrária de Vera Araújo, do diário O Globo, no passado dia 15 de junho, elevando para 18 o número de abusos. A jornalista estava filmando a detenção de um turista argentino e acabou também sendo presa. Uma investigação foi aberta contra o policial militar responsável pela detenção.

O Brasil se situa no 111º lugar em 180 países na última Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa, elaborada por Repórteres sem Fronteiras. Por ocasião da Copa do Mundo de futebol, a organização lançou uma campanha para sensibilizar o público sobre a situação da liberdade de informação nos países participantes. Acompanhe as fichas dos jogos de Repórteres sem Fronteiras.

Trailer, Missão Bolívia (Misión Bolivia)



Missão Bolívia, dialogar e documentar. (Misión Bolivia, dialogar y documentar)


A respeitada diplomacia brasileira vem se tornando fantoche de velhas e conhecidas ideologias políticas. (Missão Bolívia, dialogar e documentar) revela o descaso da política externa brasileira no sofrimento enfrentado pelo senador boliviano Roger Pinto Molina, que passou mais de um ano asilado, esquecido em um quarto no edifício da embaixada do Brasil em La Paz, Bolívia. 

“Eu me sentia como se eu tivesse o DOI-Codi ao lado da minha sala de trabalho.” (Eduardo Saboia, diplomata brasileiro)

Molina vitima de perseguição política, denunciou o envolvimento de membros do governo do presidente Evo Morales, com o narcotráfico. O senador boliviano foi resgatado (agosto, 2013) da Bolívia, em uma operação coordenada pelo diplomata brasileiro Eduardo Saboia, sem o conhecimento dos governos brasileiro e boliviano.

“E asseguro: é tão distante o DOI-Codi da embaixada brasileira lá em La Paz como é distante o céu do inferno. Literalmente isso." (Dilma Rousseff, presidenta do Brasil).

“Não respeito caprichos nem ordens manifestadamente ilegais”. (Eduardo Saboia, diplomata brasileiro). “No Brasil de Dilma, quem diz isso é réu. A presidente exige obediência cega. Vergonha”. (Demétrio Magnoli, sociólogo)

"Eduardo Saboia revela ser um continuador corajoso do legado de coragem do mártir brasileiro, mártir da ONU, Sérgio Vieira de Mello”. (Jose Ramos-Horta, Prêmio Nobel de Paz)

Fatos como a prisão (fevereiro, 2013) em Oruro na Bolívia, de doze brasileiros, torcedores do Corinthians, acusados pela morte de um adolescente em um jogo da Copa Libertadores da America, tráfico de drogas, e outros crônicos gargalos da relação diplomática entre Brasil e Bolívia, são abordados no filme. 

“Torcedores presos na Bolívia são usados como 'objetos de barganha política' pelo governo Morales”. (Senador Ricardo Ferraço, Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado do Brasil). 

"Hoje, nove de cada dez toneladas de cocaína produzida na Bolívia têm como destino o Brasil" (José Casado, O Globo) 

Missão Bolívia, tem participações especiais de Eduardo Saboia (diplomata), Carlos Mesa (ex-presidente Bolívia), Jorge Quiroga (ex-presidente Bolívia), Roger Pinto (senador), Marcel Biato (diplomata) Ricardo Ferraço (senador), Alvaro Dias (senador), Sérgio Petecão (senador), Jerjes Talavera (diplomata), Fernando Tibúrcio (advogado).

Um Documentário de Dado Galvão (Conexão Cuba Honduras), Pilar Celi Frias (jornalista, pré-produção, pesquisa Bolívia), Arlen Cezar (fotógrafo, pré-produção).

Exibições públicas poderão ser solicitadas agora, mas só acontecerão a partir de julho de 2014. dadogalvao@hotmail.com

Tempo: 110 minutos. Ano de produção: 2014.

Misión Bolivia – dialogar y documentar 

La respetada diplomacia brasilera viene siendo títere de viejas y conocidas ideologías políticas. El documental “Misión Bolivia, dialogar y documentar” revela la indiferencia de la política externa brasilera con el sufrimiento enfrentado por el senador boliviano Roger Pinto Molina, quien pasó más de un año asilado y olvidado en un cuarto del edificio de la embajada de Brasil en La Paz Bolivia. 

“Me sentía como si tuviera el DOI-CODI* al lado de mi sala de trabajo.”(Eduardo Saboia, diplomático brasileño) 

Roger Pinto Molina fue víctima de persecución política. Denunció la implicancia de miembros del gobierno del presidente Evo Morales con el narcotráfico. El senador boliviano fue rescatado (agosto, 2013) en Bolivia, en una operación coordinada por el diplomático brasileño Eduardo Saboia, sin el conocimiento de los gobiernos brasilero y boliviano. 

“Y aseguró: es tan distante el DOI-CODI* de la embajada brasilera allá en La Paz como es distante el cielo del infierno. Literalmente eso." (Dilma Rousseff, presidenta de Brasil). 

“No respeto caprichos ni órdenes ilegales”. (Eduardo Saboia, diplomático brasilero). “En el Brasil de Dilma, quien dice eso es reo. La presidenta exige obediencia ciega. Vergüenza”. (Demétrio Magnoli, sociólogo) 

"Eduardo Saboia revela ser un seguidor del legado del mártir brasilero, Sérgio Vieira de Mello, quien trabajó en la ONU”. (Jose Ramos-Horta, Premio Nobel de Paz) 

Temas como: El encarcelamiento en Oruro (Bolivia) de doce brasileros barristas del Corinthians quienes fueron acusados por la muerte de un adolescente en un juego de la Copa Libertadores de América, tráfico de drogas, y otros detalles de la relación diplomática entre Brasil y Bolivia, son abordados en el documental. 

“Hinchas detenidos en Bolivia son usados como moneda de cambio por el gobierno de Morales”. (Senador Ricardo Ferraço, Presidente de la Comisión de Relaciones Exteriores de Senado de Brasil). 

“Misión Bolivia”, tiene participaciones especiales de Eduardo Saboia (diplomático), Carlos Mesa (ex-presidente de Bolivia), Jorge Quiroga (ex-presidente de Bolivia), Roger Pinto (senador), Marcel Biato (diplomático) Ricardo Ferraço (senador), Alvaro Días (senador), Sérgio Petecão (senador), Jerjes Talavera (diplomático), Fernando Tibúrcio (abogado). 

Un Documental de Dado Galvão (Conexión Cuba Honduras), Pilar Celi Frías (Periodista peruana, Producción, Investigación), Arlen Cezar (fotógrafo, Producción). 

Exhibiciones públicas podrán ser solicitadas ahora, pero sólo podrán ser vistas a partir de julio de 2014. dadogalvao@hotmail.com 

Tiempo: 110 minutos. Año de producción: 2014 


*DOI-CODI, departamento de policía donde personas fueron torturadas durante la dictadura (1964) en Brasil

Cuba, Venezuela e Honduras se mantêm como os países com menos liberdade de imprensa na América Latina


A liberdade de imprensa no continente americano é profundamente heterogênea e permite visualizar tendências bem diferenciadas entre, de um lado, o norte e boa parte do Caribe; de outro, o centro e o sul. Oinforme de 2013 da Freedom House, publicado nesta quinta-feira, quase não altera as linhas mestras dessa paisagem, embora tenham sido registradas algumas mudanças de alta e baixa significativas. O aspecto mais positivo do documento é que o número de países considerados não livres no campo da informação passa de seis a cinco graças a uma ligeira melhora do Paraguai. As nações integradas nos outros dois segmentos não variam, por isso se mantêm as mesmas 15 classificadas como livres em 2012 e as 14 como parcialmente livres, às quais se soma agora o Paraguai.

No ranking, elaborado a partir de uma série de pesquisas em 23 metodologias, a organização continua considerando Santa Lúcia como o país americano com maior liberdade de imprensa – com uma nota de 15 sobre 100, a mesma que em 2012 – e Cuba como o país com menos – com uma classificação de 90, dois pontos mais baixa do que no ano anterior. Os outros quatro países considerados não livres são a Venezuela – sua nota passa de 76 em 2012 para 78 em 2013 –, Honduras – de 62 a 64 –, Equador – de 61 a 62 – e México –, que se manteve em 61. Visto em perspectiva, do total de países de língua espanhola ou portuguesa, somente 15% goza de liberdade de imprensa absoluta.

Com relação ao relatório anterior, se destacam a piora na pontuação dos Estados Unidos – passam de uma nota 17 em 2012 a 21 em 2013 –, Suriname – de 24 a 28 –, Panamá – de 48 a 50 –, e os já mencionados Equador, Honduras e Venezuela. No outro extremo, sobressaem as melhoras de dois pontos do Paraguai – de 61 a 59 – e El Salvador – de 41 a 39 –, à margem da já citada de Cuba. Também melhoram sua classificação, mas somente em um ponto, Jamaica (até 17), Canadá (19), Trinidad e Tobago (25), Brasil (45) e Argentina (51).

A Freedom House atribui a piora da Venezuela ao fato de que o presidente do país, Nicolás Maduro, continuou com os “esforços” de seu antecessor, Hugo Chávez, para “controlar a imprensa”. De concreto, cita a aquisição da rede de televisão Globovisión, contrária ao Governo, por parte de uma empresa aliada ao chavismo. “Distintas vozes opositoras independentes e de destaque abandonaram o canal, criticando a falta de independência editorial”, assinala o documento.

O relatório não menciona a decisão do Governo de Maduro de suspender em fevereiro, por causa de sua cobertura dos protestos da oposição, a transmissão na Venezuela do canal de notícias colombiano NTN24, mas essa censura foi citada na entrevista de apresentação à imprensa do documento. O responsável pelos assuntos públicos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Doug Frantz, aproveitou a apresentação para reiterar a petição, feita na quarta-feira, de que a Venezuela restabeleça o sinal da NTN24. “Proibir uma rede de televisão é antidemocrático e não é do interesse da Venezuela”, disse Frantz, que acrescentou que a “sugestão” de restabelecer o sinal já havia sido feita por Washington a Caracas por meio de canais diplomáticos, e que continuará fazendo-a.

Quanto ao Equador, o documento lamenta que depois de entrar na categoria de não livre em 2012 a deterioração da liberdade de imprensa tenha se agravado no ano passado com a aprovação por parte da Assembleia Nacional de uma nova lei de comunicações que cria “poderosos órgãos regulatórios com uma independência questionável, que fixa controles excessivos no conteúdo e impõe onerosas obrigações aos jornalistas e aos meios”.

No México, apesar de manter sua pontuação, a Freedom House alerta que “aumentaram a violência e a intimidação’ aos representantes locais de organizações internacionais a favor da liberdade de informação. No caso de Honduras, o relatório atribui a queda de dois pontos dentro da categoria de não livre à “intensificação da autocensura”, especialmente em assuntos relacionados com a corrupção e os possíveis vínculos entre os governos locais e o crime organizado.

No grupo de países parcialmente livres, destaca-se a piora do Panamá, fruto da “concentração da propriedade” nas mãos do presidente Ricardo Martinelli e seus aliados, assim como as intenções do Governo de utilizar leis para “influenciar ou manipular o conteúdo e intimidar os meios de comunicação críticos”.

Apesar das leves melhoras na Argentina e no Brasil, o relatório mantém suas advertências sobre os freios à liberdade dos jornalistas ."A Argentina continua sendo um país que preocupa pela alta polarização do clima político, e a contínua retórica negativa e ataques verbais de membros do Governo em relação a jornalistas e meios de comunicação críticos, especialmente aos afiliados ao grupo Clarín”, lamenta. Também destaca que no ano passado o Tribunal Supremo considerou constitucional a lei de meios de comunicação promovida pelo Governo Kirchner. Em relação ao Brasil, a organização lembra que três jornalistas morreram em 2013 e vários foram atacados ou intimidados durante os protestos que surgiram em junho passado, e acrescenta: “As ações legais contra blogueiros e empresas de internet também constituíram ameaças à liberdade de imprensa, além do alto número de pedidos do Governo para retirar conteúdo ‘online’”.

O único país que se incorpora ao grupo de parcialmente livres é o Paraguai, o que, segundo a Freedom House, pode ser explicado pela “redução da influência política sobre os meios estatais em contraste com a interferência e as demissões” na TV pública, depois da polêmica sobre a destituição do presidente Fernando Lugo em junho de 2012.

Finalmente, na categoria de nações livres destaca-se o caso do Suriname, que experimenta a maior queda do continente, de quatro pontos, como resultado da “falta de implementação” de regras que protejam a liberdade de imprensa, o uso crescente de leis de difamação contra jornalistas e a distribuição preferencial dos anúncios do Governo.

E também chama a atenção a situação dos Estados Unidos, que se mantêm na parte mais alta da classificação, mas caíram três pontos. Segundo a Freedom House, isso se deve a uma série de fatores: a manutenção da “vontade limitada” de altos cargos do Governo de proporcionar informações para a imprensa, alegando em ocasiões motivos de segurança; o fato de que os jornalistas que cobrem assuntos de segurança enfrentaram os “esforços contínuos da Justiça Federal de forçá-los a depor ou entregar materiais que revelem fontes”; e finalmente foi questionada a proteção à liberdade de informação depois das revelações de espionagem generalizada da NSA, por parte do ex-analista Edward Snowden, assim como o grampo de chamadas telefônicas dos jornalistas da agência Associated Press. Tudo isso fez com que os Estados Unidos tenham obtido sua pior pontuação em uma década, segundo destacou Karin Karlekar, diretora do relatório, durante a apresentação. Algo que, como é previsível, foi minimizado pelo representante do Departamento de Estado. “Os detalhes e os fatos das operações precisam ser mantidos em segredo por motivos de segurança nacional”, disse Frantz, que admitiu, no entanto, o enorme prejuízo causado pelas revelações de Snowden.

Fonte: El País 

Governo petista do Acre teve uma ideia para resolver problema com a imigração de haitianos: despachá-los para São Paulo!



Governo petista do Acre teve uma ideia para resolver problema com a imigração de haitianos: despachá-los para São Paulo! Ou: PT cria o problema, orgulha-se dele e joga batata quente no colo alheio. 

(No vídeo) Haitianos num acampamento de Brasileia, no Acre: segundo a mística petista, isso é evidência da pujança do “novo Brasil”

Há três anos já, o Acre tem recebido uma boa leva de imigrantes haitianos. Eles chegam primeiro ao Peru e à Bolívia e depois se instalam em território brasileiro. Nesse tempo, o governo federal — e imigração é um problema federal — não moveu uma palha nem para impedir a entrada ilegal nem para alojá-los ou lhes arrumar emprego. Mas estimula o fluxo ao regularizar a situação e anunciar ao mundo que eles são bem-vindos.

Mais do que isso: os petistas passaram a alardear que a chegada desses haitianos é uma evidência da pujança do Brasil. O assunto até foi tema da redação do Enem em 2012. A tese era a seguinte: antes, o Brasil era pobre e expulsava mão de obra; agora, na gestão petista, é rico e atrai mão de obra. O governo brasileiro, de resto, é um crítico de países que criam dificuldades para a entrada ilegal de imigrantes. 

Resultado: há uma explosão de haitianos no Acre, especialmente na cidade de Brasileia. Vivem em condições miseráveis, em acampamentos imundos. O governo Dilma não faz nada. Tião Viana, governador do Acre, seu aliado partidário, teve uma ideia: “Ah, vamos mandá-los para São Paulo”. E foi o que fez. Fechou um dos abrigos de Brasileia e despachou os imigrantes sem nem mesmo um comunicado prévio ao governo do outro Estado, que se indignou com essa postura. 

Nilson Mourão, secretário de Justiça e Direitos Humanos,do Acre, resolveu dar uma de cínico, afirmando que não entende a postura do governo paulista. Referindo-se aos haitianos, afirmou à Folha: “Eles não ficam aqui. É apenas uma porta de entrada. A maioria segue viagem rumo ao sul do país. Nós chegamos no limite. A cidade de Brasiléia, de 10 mil habitantes, está com 20% da sua população formada por imigrantes”. Segundo Mourão, o Estado de São Paulo, “o mais rico da federação”, tem total condições de abrigar os 400 haitianos que acabaram de chegar. 

Não me digam! Ora vejam! O governo do PT decide aplicar uma política de portas abertas a toda e qualquer imigração ilegal. Basta ir chegando. Não só pratica isso como alardeia seu malfeito. Não contente, ainda se orgulha dele e o transforma em teoria e até em tema de redação do Enem. E depois joga a batata quente na colo alheio. 

A secretária de Justiça do Estado de São Paulo, Eloisa Arruda, classificou a atitude do governo do Acre de “irresponsável” e se disse indignada. Agora pense um pouquinho, leitor: imagine se é o governo de São Paulo a agir dessa maneira. Imagine se Geraldo Alckmin tivesse resolvido lotar alguns ônibus com nigerianos, por exemplo, e os enviado a estados administrados pelo PT. A essa altura, as milícias petistas nas redes sociais o estariam tachando de racista, de higienista e de fascista. 

Quando, no entanto, um governo petista envia imigrantes que ele próprio recebeu a outro estado como se fosse uma leva de gado, aí não! Aí se trata de política humanista, certo? Tenham paciência! E o que fez, até agora, o Ministério da Justiça, de José Eduardo Cardozo, a quem compete cuidar do assunto? 

Nada! Se Dilma quisesse que a pasta funcionasse, não teria escolhido Cardozo para cuidar dela. Só gente ocupada tem tempo de fazer o que deve. 


Como Cuba conquistou a Venezuela?


A enorme influência que Cuba conseguiu exercer na Venezuela é um dos acontecimentos geopolíticos mais surpreendentes e menos compreendidos do século XXI. A Venezuela é nove vezes maior que Cuba, tem o triplo de população e sua economia é quatro vezes maior. O país alberga as principais reservas de petróleo do mundo. No entanto, algumas funções cruciais do Estado venezuelano ou foram delegadas a servidores públicos cubanos ou são diretamente controladas por Havana. E isto, o regime cubano conquistou sem um só disparo.

Os motivos de Cuba são óbvios. A ajuda venezuelana é indispensável para evitar que sua economia colapse. Ter um governo em Caracas que mantenha dita ajuda é um objetivo vital do Estado cubano. E Cuba está há décadas acumulando experiência, conhecimentos e contatos que lhe permitem operar internacionalmente com grande eficácia e, quando é necessário, de maneira quase invisível. Desde seu início em 1959, uma prioridade da política exterior do regime cubano foi a criação de vastas redes de apoio a sua causa. Seus serviços de espionagem, sua diplomacia, propaganda, ajuda humanitária, intercâmbios juvenis, acadêmicos e culturais, e o apoio em outros países a ONG, intelectuais, jornalistas, meios de comunicação e grupos políticos afins foram pilares básicos de sua estratégia internacional. Isto o fazem todos os países, mas poucos tiveram a necessidade de lhe dar tanta prioridade e durante tanto tempo como Cuba. A sobrevivência econômica e política do regime dependeu de seu sucesso em ter aliados em outros países que, a sua vez, possam influenciar sobre seus governos em apoio à ilha. Na Venezuela isto não foi necessário, já que conseguiu penetrar diretamente no Governo. O fato indiscutível é que Cuba tem tanto a necessidade vital como a experiência e as instituições para moldar as decisões de seu rico vizinho petroleiro.

É bem conhecida a enorme ajuda petroleira que recebe a ilha da Venezuela. Também os investimentos e o apoio financeiro. Parte crescente das importações de Venezuela canalizam-se através de empresas cubanas. Há pouco revelou-se a existência de um enorme depósito de medicamentos expirados recentemente, que eram importados por uma empresa cubana: remédios supostamente adquiridos no mercado internacional a preço de custo, e revendidos a preço regular ao Governo de Caracas.

A relação vai além de subsídios e vantajosas oportunidades de negócios para a elite cubana. Como documentou Cristina Marcano, uma jornalista que pesquisou largamente este tema, os servidores públicos cubanos controlam as notaria públicas e os registros civis da Venezuela. Também supervisionam os sistemas informáticos da presidência, ministérios, programas sociais, policial e serviços de segurança, bem como a petroleira estatal PDVSA.

E depois está a cooperação militar. O ministro de Defesa de um país latino-americano me contou o seguinte: “Em uma reunião com oficiais de alta categoria da Venezuela, chegamos a vários acordos de cooperação e outros assuntos. Então três assessores, com inconfundível sotaque cubano, incorporaram-se à reunião e se dedicaram a mudar tudo o que acordava. Os generais venezuelanos estavam envergonhados, mas não disseram uma palavra. Estava claro que os cubanos levavam a batuta”.

Cuba paga tudo isto com pessoal e “serviços”. A Venezuela recebe de Cuba médicos e enfermeiras, treinadores esportivos, burocratas, pessoal de segurança, milícias e grupos paramilitares. “Temos mais de 30.000 cederristas [membros do Comitê de Defesa da Revolução de Cuba] na Venezuela”, dizia em 2007 Juan José Rabilero, nessa época coordenador dos comitês de Cuba.

Por que o Governo venezuelano permitiu esta intervenção estrangeira tão abusiva? A resposta é Hugo Chávez. Durante seus 14 anos na presidência, desfrutou de um poder absoluto graças ao controle que exercia sobre cada uma das instituições que poderiam ter imposto limites a ele ou exigido transparência, fossem os tribunais ou a Assembleia Legislativa. Também dispôs a seu desejo dos lucros petroleiros da Venezuela.

Deixar os cubanos entrarem foi uma das expressões mais contundentes desse poder absoluto.

Chávez tinha muitas razões para se arremessar nos braços de Fidel Castro. Admirava-o, e sentia por ele um profundo afeto e confiança. Fidel se tornou seu assessor pessoal, mentor político e script geoestratégico. Castro alimentou além disso a convicção de Chávez de que seus muitos inimigos —sobretudo os Estados Unidos e as elites locais— queriam o liquidar, e que não podia esperar de suas forças de segurança a proteção que precisava. Por outro lado, os cubanos sim eram confiáveis. Cuba também proporcionou toda uma engajada rede de ativistas, ONG e propagandistas que apoiaram a revolução bolivariana no exterior. Chávez também se queixava publicamente da inaptidão de seus altos servidores públicos. Nisto, também Cuba o ajudou, o dotando de servidores públicos com experiência na manipulação de um Estado cada vez mais centralizado.

O alcance da entrega de Chávez a Havana ilustra-o dramaticamente a forma em que manipulou o câncer que acabaria com sua vida: confiou só nos médicos que Castro lhe recomendou, e se tratou a maior parte do tempo em Havana, sob um manto de sigilo.

O sucessor de Chávez, Nicolás Maduro, aprofundou ainda mais a dependência venezuelana de Havana. Ante os protestos estudantis contra um regime a cada vez mais autoritário, o Governo respondeu com uma repressão brutal, que conta com os instrumentos e as táticas aperfeiçoadas pelo Estado policial que controla Cuba há demasiado tempo.

Fonte: MOISÉS NAÍM

Os EUA criaram o ‘twitter cubano’ na Costa Rica sem conhecimento do Governo


Uma casa próxima ao Estádio Nacional de futebol na capital da Costa Rica, no setor conhecido como La Sabana, foi o refúgio que usaram os Estados Unidos para o lançamento do sistema, considerado agora clandestino, de mensagens telefônicos que o país manteve ativo durante dois anos entre a população cubana para influir contra o Governo da Ilha. Isto não era sabido pelo Executivo da Costa Rica, que reagiu um tanto irritado através de seu ministro de Relações Exteriores, Enrique Castillo.

As autoridades da Costa Rica alegaram que a operação da sociedade Creade Costa Rica S. A., filial dela consultora Creative Associates Inc., foi ocultada. Com sede em Washington D. C., a Creade foi subcontratada pela agência de cooperação dos Estados Unidos (USAID) para executar o plano chamado Zunzuneo, como revelou nesta terça-feira uma reportagem do diário local La Nación.

A publicação mostra três documentos prévios a 2010 nos quais autoridades do Ministério de Relações Exteriores costarriquenho recusam os procedimentos propostos pela Embaixada dos Estados Unidos. “Poderia gerar uma situação politicamente inconveniente, já que caberia a interpretação de que se estaria violentando o princípio de não intervenção nos assuntos de outros países”, se lê em uma das respostas do ano de 2009, meses antes de que começassem as operações do chamado "twitter cubano" em 2010.

O "twitter cubano" é um sistema cuj desenvolvimento foi revelado pela agência Associated Press(AP). Promovido pela Agência Internacional dos Estados Unidos para o Desenvolvimento (USAID), esta rede de mensagens atingiu mais de 40.000 usuários entre 2010 e 2012, com a intenção de driblar os controles informativos e a Internet, e assim gerar dissidência no Governo de Raúl Castro, segundo a publicação de AP deste 4 de abril.

O que o chanceler Enrique Castillo não sabia era que esta rede de mensagens era operada no seu território. “Não podemos aprovar isso em nenhum caso. Isto não está bem” respondeu o ministro, que procurou não dizer que a Embaixada tenha ocultado a informação da Costa Rica. “Não usaria esse qualificativo. A Embaixada não tinha a obrigação de revelar o conteúdo do programa. Não é função do Ministério supervisionar o que fazem as embaixadas”, respondeu ao diário La Nación. Assim se referiu ao Programa de Intercâmbio Latinoamericano (PILHA), cujo objetivo oficial era aumentar a comunicação entre a sociedade cubana e a de outras nações da região.

A sede diplomática norte-americana nega ter ocultado informação e diz não conhecer as objeções emitidas na época pelo Ministério de Relações Exteriores da Costa Rica. “Temos comunicações internas que demonstram que membros da Embaixada informaram o Ministério sobre o programa”, rebateu um servidor público da sede diplomática, sem entrar em mais detalhes nem mostrar esses documentos.

A Costa Rica cobrou uma explicação à Embaixada, mas fontes diplomáticas em San José informam que agora, a duas semanas da transição do Governo costarriquenho, há poucas possibilidades de ir muito além na queixa contra os Estados Unidos, país com o qual possui uma velha tradição de cooperação política.

Fonte: El País

Senadores discutem após tucano chamar militantes do PCdoB de arruaceiros



A monotonia da Comissão de Relações Exteriores do Senado foi quebrada nesta quinta-feira por um bate-boca entre o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e a colega Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). O tucano disse que "arruaceiros" do PCdoB intimidaram a blogueira cubana Yoani Sánchez quando ela visitou o Brasil, no ano passado. A senadora se sentiu ofendida:"Não chame os militantes de arruaceiros. Não admito isso". Aloysio não se retratou: "A senhora não tem o direito de me censurar". Mas Vanessa achou que tinha: "Tenho o direito, sim. O senhor engula as suas palavras". Como Aloysio não se retratou e continuou usando o termo, a senadora anunciou que pediria verificação de quórum, o que impediria o prosseguimento da sessão, e ameaçou sair do plenário. Mas acabou recuando. A discussão aconteceu quando a comissão discutia um convite para a deputada venezuelana Maria Corina Machado, cassada por sua oposição ao regime do chavista Nicolás Maduro. O pedido foi aprovado. 

Médica cubana diz que fica na Câmara até sair decisão sobre asilo



DEM quer protocolar nesta quarta pedido de asilo para a médica.
Ramona Matos Rodriguez se abrigou no gabinete do partido na Câmara.

A médica cubana Ramona Matos Rodriguez, que veio ao Brasil para participar do programa Mais Médicos e buscou abrigo na liderança do DEM na Câmara, informou nesta quarta-feira (4) que vai ficar morando no local até que tenha uma resposta do governo brasileiro sobre a concessão de asilo político. O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), afirmou que deverá protocolar o pedido no Ministério da Justiça nesta quarta (5).

O programa traz profissionais estrangeiros para atender pacientes do interior do país e de áreas carentes das grandes cidades. Ramona atuava em Parajá, no Pará. No último sábado (1º), ela partiu da cidade em direção a Brasília, após descobrir que os demais profissionais estrangeiros recebem R$ 10 mil pelo programa. Segundo ela, os cubanos recebem US$ 400 (cerca de R$ 965).

"Eu pretendo ficar aqui [no Brasil]. E pedi a proteção do deputado [Ronaldo Caiado, ex-líder do DEM], porque eu temo pela minha vida. Estou certa que se neste momento vou para Cuba, vou estar presa. Fui enganada pelo governo cubano", disse. Questionada se pretende permanecer no gabinete da liderança do DEM, a médica respondeu que sim. "Até que me deem uma resposta [sobre o asilo político]", completou.

O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), afirmou que o partido vai ajudar qualquer médico cubano que necessite de auxílio para pedido de asilo.

"Nós entramos em contato com o gabinete do ministro [da Justiça] José Eduardo Cardozo pedindo audiência, para que a gente possa apresentar a nossa preocupação com a médica cubana que está abrigada aqui. Ao mesmo tempo, a assessoria do DEM deve finalizar até o final da tarde de hoje a solicitação de asilo político dela no território brasileiro", disse Filho.

Mendonça Filho e Ronaldo Caiado têm reunião marcada para o início da tarde com o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo. Eles vão conversar sobre a situação da cubana. Após a reunião, Cardozo deve passar a posição do ministério para a imprensa.

Esclarecimentos
Segundo o líder do DEM, o partido também vai solicitar ao Ministério da Justiça esclarecimentos sobre a suposta ida de agentes da Polícia Federal à casa da médica em Parajá, onde ela vivia com outras duas profissionais cubanas, após a fuga de Ramona.

Segundo a médica, a preocupação com a PF foi o motivo para ela ter buscado o auxílio do DEM, partido que fez forte oposição ao Mais Médicos no Congresso. "Uma amiga falou para mim que a Polícia Federal havia ido até a minha casa, e haviam rastreado a minha chamada telefônica, havia, feito entrevista com as pessoas que eu havia ligado, e que haviam falado que agora vinha me procurar. Eu fiquei com muito medo", disse.

Em entrevista coletiva, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo afirmou que a PF não procura Ramona nem foi à casa dela.

“Não existe a menor possibilidade legal de que isso tivesse ocorrido. A Polícia Federal não a está procurando, não a está investigando e não existe nenhuma interceptação legal de telefone. Isso, ainda que se algum policial o fez, foi em total situação de irregularidade”, disse. “Neste momento não há porque buscar algum abrigo ou uma situação qualquer de resguardo a esta pessoa. Ela não está sendo buscada pela Polícia Federal”, completou

Salário
Ramona também informou que, em Cuba, seu salário era de 573 pesos, aproximadamente US$ 35. No Brasil, os US$ 400 recebidos por Ramona são considerados insuficientes por ela devido aos custos para morar no país.

Ramona afirmou que chegou ao Brasil em dezembro. Na terça- feira, ela mostrou a jornalistas um contrato firmado com a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos, empresa que teria intermediado a vinda da médica ao país. No ano passado, quando os primeiros médicos cubanos chegaram ao Brasil, o governo brasileiro não divulgou o valor que cada profissional receberia pelo contrato feito com Cuba por intermédio da Organização Panamericana de Saúde (Opas).

No lançamento do programa, o governo divulgou que o acordo com Cuba foi intermediado pela Opas, que receberia R$ 510 milhões por um semestre de serviços, repassando parte do dinheiro a Havana. Todos os demais profissionais contratados pelo Mais Medicos, brasileiros e estrangeiros, recebem bolsa de R$ 10 mil.

Conselho Federal de Medicina
Também nesta quarta (5) o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto D´Ávila, prestou apoio à médica.

“O CFM parabeniza essa cubana pela coragem de denunciar que fugiu e manifesta apoio a essa intercambisca cubana. Ela teve coragem de fugir e relatar o que está acontecendo. Clamo pelas autoridades que acolham essa mulher porque ela corre o risco de ser deportada para Cuba”, afirmou. “Essa mulher tem que ser protegida e quero apoiar o que ela fez.”

Fonte: G1

Dilma vai a Cuba inaugurar porto financiado com empréstimo sigiloso do BNDES



Depois de participar do Fórum Econômico Mundial na Suíça, a presidente Dilma Rousseff viaja neste fim de semana para Cuba, onde cumprirá uma agenda de eventos com países da América do Sul, Central e do Caribe. Entre os compromissos de Dilma na ilha caribenha está um encontro, na próxima segunda-feira, com o presidente cubano Raúl Castro. Na ocasião, Dilma e Castro irão inaugurar a primeira fase do Porto de Mariel. A obra conta com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de mais de US$ 500 milhões. O valor total do investimento do governo brasileiro em obras na ilha de Cuba, entretanto, dificilmente será totalmente conhecido, já que o Palácio do Planalto impôs sigilo completo às operações de empréstimos feitos pelo BNDES ao poder federal cubano. Em audiência realizada no Senado no final do ano passado, o senador Alvaro Dias questionou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, sobre o motivo de o governo ter imposto a tarja de sigilo a essas operações, e o dirigente, na ocasião, defendeu o caráter sigiloso dos empréstimos “por observância à legislação do país de destino do financiamento”. Após a fala de Coutinho, o senador Alvaro Dias rebateu os argumentos do presidente do BNDES e lhe deixou um questionamento: “então, deve o Brasil emprestar dinheiro nessas condições, atendendo às legislações dos países que tomam emprestado, à margem de nossa legislação de transparência absoluta na atividade pública?”. Como destacou o jornalista José Casado, do jornal “O Globo”, em artigo publicado alguns dias após a audiência, após a pergunta do senador Alvaro Dias, “o silêncio de Luciano Coutinho ecoou no plenário”. O jornalista, em seu artigo, concluiu afirmando que “o governo Dilma Rousseff avança entre segredos e embaraços nas relações com tiranos”. 

Em homenagem a Mandela, Obama e Raúl Castro se cumprimentam


Aperto de mão entre cubano e americano foi antes do discurso de Obama.
Funcionário americano disse que foi 'sinal'; site cubano celebrou iniciativa.

Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, se cumprimentam 
nesta terça-feira (10) em homenagem a Mandela (Foto: Reuters)

O presidente dos EUA, Barack Obama, apertou a mão do presidente de Cuba, Raúl Castro, nesta terça-feira (10), durante ato em homenagem a Nelson Mandela.

O gesto é inédito entre os presidentes, de dois países que têm sido rivais ao longo de mais de meio século.

Raúl Castro sorriu quando Obama apertou sua mão, a caminho do púlpito onde fez um emocionado discurso em homenagem a Mandela. Os dois trocaram algumas palavras.

Um funcionário do governo dos EUA disse à France Presse que o aperto de mão com o sucessor de Fidel Castro foi uma "nova demonstração" da vontade da administração Obama de se aproximar dos inimigos dos EUA, entre eles Cuba.

Site cubano comemora
O site oficialista cubano Cuba Debate celebrou o aperto de mão.

"Obama saúda Raúl: que esta imagem seja o início do fim das agressões dos EUA a Cuba", diz a legenda da foto no site.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que também discursou na cerimônia, presenciou a cena de perto.

Contexto

Washington rompeu relações diplomáticas com Havana em 1961, após a chegada ao poder de Fidel Castro, em 1959, e a nacionalização de propriedades americanas na ilha.

Um embargo dos Estados Unidos foi imposto em 1962, sob a administração de John F. Kennedy, e segue em vigor até hoje, apesar da desaprovação de boa parte da comunidade internacional.

Os dois países mantêm seções consulares de interesse que atuam como embaixadas.

Em 9 de novembro, falando a uma comunidade anti-Castro em Miami, Obama considerou que os Estados Unidos deveriam rever a sua política em relação a Cuba, mantendo o objetivo de ajudar a liberalizar a ilha.

"Temos que ter em mente que quando (Fidel) Castro chegou ao poder, eu tinha acabado de nascer. É tolice acreditar que as medidas implementadas em 1961 ainda são eficazes hoje, na era da Internet e do Google', disse na época.

Cubano-americanos fortemente contrários a Castro compõem uma parcela considerável de eleitores e possíveis doadores na Flórida, um estado chave onde as eleições americanas podem ser decididas.

Como candidato presidencial, Obama foi taxado tanto de ingênuo quanto de perigoso por rivais de ambos os partidos por sugerir que, como presidente, estaria disposto a dialogar com inimigos sem pré-condições.

Mas a habilidade de Obama em rastrear e matar o terrorista Osama bin Laden e uma série de ataques de drones o distanciaram das acusações de fraqueza em política externa e segurança.

Não está claro se o aperto de mãos desta terça-feira contribuirá para descongelar significativamente as relações. Em 2000, o então presidente Bill Clinton apertou a mão de Fidel Castro na Assembleia Geral da ONU em Nova York.

No entanto, não foi feita nenhuma imagem do momento, e a Casa Branca negou inicialmente que ele tivesse ocorrido.

Fonte: G1

Na TV Senado


Exibição do Documentário Conexão Cuba Honduras de Dado Galvão.
Dia 08 de dezembro 2013 (domingo) 20h30 (Horário de Brasília)
Na TV SENADO, em comemoração ao Dia Internacional dos Direitos Humanos.

‘O governo cubano precisa ser de todos’

No Rio de Janeiro o documentarista jequieense Dado Galvão repete o geste de quando recebeu a blogueira Yoani Sánchez no Brasil, e amarra no braço do Padre cubano 
uma fita do Senhor do Bom Fim.


RIO - Uma das principais vozes críticas ao regime castrista dentro da Igreja Católica cubana, o padre José Conrado Rodríguez adota uma postura de conciliação ao falar da transição que deseja para seu país: defende o diálogo político, sem excluir quem já está no poder. Próximo a dissidentes, por quem já foi inclusive premiado por suas posições, o religioso veio ao Rio para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Ao GLOBO, disse ter sido ameaçado de morte pelo governo nos anos 1990, quando escreveu uma dura carta aberta a Fidel Castro, e se mostrou a favor de uma Igreja mais firme nas questões de direitos humanos. “Não tenho vontade de me calar. Sei que estou pedindo algo justo”, afirma.

O senhor poderá encontrar o Papa? O que gostaria de dizer a ele?

Um representante do prefeito de Miami disse que estava tentando me ajudar com isso, mas vamos ver. Primeiro, lhe diria o quanto o amamos. Quando se está na posição do Papa, há muitas cruzes a carregar. Por isso, o carinho das pessoas é fundamental. Segundo: que siga por este caminho. Que não tema ninguém, que siga no caminho da renovação da Igreja por meio do amor, mas também com firmeza. E terceiro, pediria uma bênção a Cuba e a todos os cubanos. Sabe, Cuba não é só a ilha; há mais de dois milhões de cubanos fora da ilha. Que não se esqueça daqueles que por 54 anos sabem das dificuldades, das perseguições, do desprezo, de não estar em igualdade de condições - somos cidadãos de segunda categoria. Gostaria que rezasse também pelos que estão no governo. É também o que peço a Deus. Houve muito derramamento de sangue: os que morreram tentando chegar à Flórida, os que morreram nos pelotões de fuzilamento, nas prisões. Não é preciso derramar o sangue de outros cubanos para encontrar o caminho da verdade e do amor.

Padre José Conrado durante a entrevista ao GLOBO, no Rio. ‘Não nego o direito dos marxistas de lutar por uma Cuba melhor, mas que não nos excluam mais’

Como o senhor vê a relação entre o Vaticano e Cuba?

Já há um diálogo que tem melhorado. Mas o problema é mais profundo. O governo não tem que se reconciliar apenas com a Igreja. Precisa se reconciliar com o povo, com as pessoas que não são comunistas, não querem ser comunistas e nunca serão comunistas - e que são a maioria. Têm que aprender a ser o governo de todos. Enquanto não forem, é um governo que, de alguma forma, oprime o nosso povo.

O senhor mantém contato com ativistas de oposição. Qual seria o caminho para uma eventual transição?

A primeira coisa seria o diálogo. A oposição pede isso, a Igreja também. Os que participam da oposição em Cuba romperam a barreira do medo, que muitos cubanos ainda não romperam. Diria que a maioria do povo cubano que não pensa como o governo e quer uma mudança profunda no país. O povo ainda não sabe exatamente como chegar aí, mas é o que deseja. Mais cedo ou mais tarde, o governo terá que lidar com isso.

O governo de Raúl Castro fez algumas reformas no sistema migratório e na economia. São mudanças reais?

São mudanças tímidas, que beneficiam uma pequena parte da população. Alegro-me que essas mudanças tenham ocorrido, mas não são as fundamentais, as que fazem falta ao país. Cuba está fechada não só em relação a outros países, mas em relação a si mesma. Cuba deve abrir-se para o mundo, mas o mundo também deve abrir-se para Cuba. Há um tema fundamental para muitos países, o dos direitos humanos em Cuba. A defesa dos direitos humanos não é propriedade do Estado e não tem fronteiras. Não devo defender os direitos humanos apenas em Cuba, mas no mundo todo.
O senhor é otimista em relação a outras mudanças em Cuba neste momento?

Talvez otimista não seja a palavra, mas sim aberto e desejoso. E farei de tudo para que esse caminho seja aberto. Estou seguro de que isso será bom para governados e governantes. Os direitos retirados da população se concentram nas mãos de poucos; há pessoas que têm mais direitos que o povo. É necessário compartilhar as responsabilidades, respeitar as liberdades, respeitar os direitos do povo. Aí sim poderemos construir uma pátria como a que José Martí queria: uma pátria com todos e para o bem de todos, sem exclusões. De todos, não de poucos, não dos que pertencem a um só partido, o que governa, à mesma ideologia.

Mas o senhor crê que essa ausência de igualdade seria superada em um sistema capitalista?
Entendo que do ponto de vista econômico se fale de socialismo e capitalismo. Mas vou um pouco mais atrás: para mim, a discussão é entre democracia e totalitarismo. Em Cuba, ainda há a mentalidade totalitária do governo cubano. É necessário superar essa mentalidade para que haja uma verdadeira democracia na qual as pessoas tenham domínio de seu dinheiro e suas propriedades. Isso faz parte também. Mas o que peço fundamentalmente, numa sociedade aberta, é que as pessoas tenham seus direitos garantidos e assumam a responsabilidade por seu presente, por seu futuro, que tenham a possibilidade de lutar em liberdade. Não nego o direito dos marxistas de lutar por uma Cuba melhor, não os excluo por nada; mas que não nos excluam mais, os cubanos que não são marxistas e não querer ser.

Dado Galvão, Padre Conrado e jovens da Juventude Missionaria que participam 
da Jornada Mundial da Juventude.

O governo de Raúl Castro fez algumas reformas no sistema migratório e na economia. São mudanças reais?

São mudanças tímidas, que beneficiam uma pequena parte da população. Alegro-me que essas mudanças tenham ocorrido, mas não são as fundamentais, as que fazem falta ao país. Cuba está fechada não só em relação a outros países, mas em relação a si mesma. Cuba deve abrir-se para o mundo, mas o mundo também deve abrir-se para Cuba. Há um tema fundamental para muitos países, o dos direitos humanos em Cuba. A defesa dos direitos humanos não é propriedade do Estado e não tem fronteiras. Não devo defender os direitos humanos apenas em Cuba, mas no mundo todo.

O senhor é otimista em relação a outras mudanças em Cuba neste momento?

Talvez otimista não seja a palavra, mas sim aberto e desejoso. E farei de tudo para que esse caminho seja aberto. Estou seguro de que isso será bom para governados e governantes. Os direitos retirados da população se concentram nas mãos de poucos; há pessoas que têm mais direitos que o povo. É necessário compartilhar as responsabilidades, respeitar as liberdades, respeitar os direitos do povo. Aí sim poderemos construir uma pátria como a que José Martí queria: uma pátria com todos e para o bem de todos, sem exclusões. De todos, não de poucos, não dos que pertencem a um só partido, o que governa, à mesma ideologia.

Mas o senhor crê que essa ausência de igualdade seria superada em um sistema capitalista?
Entendo que do ponto de vista econômico se fale de socialismo e capitalismo. Mas vou um pouco mais atrás: para mim, a discussão é entre democracia e totalitarismo. Em Cuba, ainda há a mentalidade totalitária do governo cubano. É necessário superar essa mentalidade para que haja uma verdadeira democracia na qual as pessoas tenham domínio de seu dinheiro e suas propriedades. Isso faz parte também. Mas o que peço fundamentalmente, numa sociedade aberta, é que as pessoas tenham seus direitos garantidos e assumam a responsabilidade por seu presente, por seu futuro, que tenham a possibilidade de lutar em liberdade. Não nego o direito dos marxistas de lutar por uma Cuba melhor, não os excluo por nada; mas que não nos excluam mais, os cubanos que não são marxistas e não querer ser.

O senhor foi transferido para a região de Cienfuegos, a 600 Km de Santiago de Cuba, sua antiga paróquia. Há algo político nessa mudança?

Sinceramente, não sei dizer. Acredito que, bem... Na Igreja, as coisas acontecem assim. Mas o antecedente é que sou um padre incômodo. Talvez o bispo quisesse descansar um pouco de mim. Mas não parece que o governo tenha pedido isso expressamente. Se fizessem isso, teriam dito: ‘De maneira alguma! Estão se metendo nos assuntos da Igreja.’ Mas o bispo sabia que o governo me queria fora da paróquia. O salão paroquial estava prestes a desabar, e a funcionária do governo responsável por autorizar a obra disse ao bispo: ‘Enquanto José Conrado estiver lá, não daremos a autorização’. Mesmo que caísse na cabeça das pessoas! Uma coisa é discordarem de mim, mas não posso aceitar que neguem às pessoas o direito de estar em segurança. Nós temos o teto há anos. Insisti nesse assunto com o bispo várias vezes.

Nos últimos meses, o primeiro vice-presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, se reuniu com representantes protestantes e iorubás. Já houve algum convite para a Igreja Católica? O senhor vê essas conversas como algo positivo?

Vejo tudo que seja diálogo como algo positivo. Não sei se houve convite à Igreja Católica porque estou viajando há um mês, mas algo deve estar a caminho. O governo se deu conta que a imensa maioria do povo tem uma fé religiosa.

O senhor diz ter sofrido ameaças de morte por parte do governo nos anos 1990. O que aconteceu?

Numa missa, fiz uma homilia falando da crise dos balseiros e do Maleconazo (onda de protestos em Havana contra o governo), em 1994. Logo depois disso, avisei que leria uma carta aberta a Fidel Castro, muito dura. O silêncio foi impressionante... Mas depois da leitura fui muito aplaudido pelos fiéis. No ano seguinte, a rádio Martí (baseada em Miami e financiada pelos Estados Unidos) leu a carta, e aí sim o governo cubano ficou irritado. Fiquei sabendo por meio de um amigo que o governo estava tramando minha morte. Iriam forjar um acidente de carro. Então, liguei para um advogado amigo em Miami e pedi para ele me gravar relatando a ameaça do governo e que, se algo acontecesse comigo, a declaração deveria ser tornada pública. Então, uma semana depois, estava na casa de um amigo e uma liderança local do Partido Comunista Cubano me encontrou. Disse que ouviu de um superior: ‘Se encontrar o padre na rua, não estenda a mão, dê um abraço. O que ele pedir, atenda’. A mensagem era que não deveriam me causar problemas.

A Igreja Católica e o Papa deveriam adotar uma postura mais política em relação a Cuba?

Darei a você a resposta que o Papa João Paulo II deu quando visitou o campo de concentração nazista de Auschwitz. O Papa falou das atrocidades ali cometidas, e um jornalista perguntou se o Pontífice não estava entrando na política ao falar disso. João Paulo II respondeu que falar dos direitos humanos não é falar de política; é a essência do Evangelho. Penso que a Igreja pode e deve ser mais firme nestas questões, a começar pela Igreja cubana. Principalmente para evitar males maiores. O povo cubano está exasperado, e um povo assim pode fazer qualquer coisa. Não podemos permitir que as coisas sigam por este caminho.

Fontes: O GLOBO Bernardo Barbosa. Com fotos: PORTAL RIUS